Dona morte
recolheu a foice
e foi-se;
os tempos de ódio
e rancor
passaram-se no meu peito;
tenho uma flor;
tenho um sorriso;
um sorriso que nunca previ;
porém…
tenho um sorriso e…
tenho uma flor.
O silêncio era intenso,
de repente quebrado
por um grito de dor;
o sofrimento era amargo e forte,
de repente findado
pelas garras do amor.
e tudo fez-se calmo;
só devagarinho um pranto,
e uma reza;
e as trevas;
findou-se a dor de quem sofria;
iniciou-se a dor de quem amava,
que agora,
lentamente morre.
Os olhos negros olhavam a rosa;
tinham treze anos de brilho;
e a rosa, ainda não desabrochara;
era manhã, menos da nove,
manhã de primavera,
das abelhas operárias;
a rosa estava semi-aberta;
e os olhos negros,
bem espertos,
tentavam observar, cada segundo,
a rosa desabrochando;
era manhã de primavera;
manhã de sol,
menos das nove;
me cativa cruelmente este fato:
e encontro da beleza e da dor;
antes da rosa abrir-se completamente,
os olhos negros,
de treze anos,
fecharam-se eternamente.