Talvez não seja só o coração bagunçado, a cabeça também estava.. Cheia de pensamentos, de idéias. Não só a mente estava cheia, o coração também estava cheio, de sentimentos, de dor, não só cheio, transbordando..
Havia acabado de acordar, já se passava das 10 e eu sentia que o meu dia ia ser mais um cheio de nostalgia, cansativo e doloroso, continuei na cama, pensando em tudo que faria, tentei esquecer um pouco a dor corriqueira.. Então levantei-me;caminhei até a janela, e vi que o dia estava nublado, pensei um pouco e acabei voltando para minha cama, lugar de que a mesma nunca deveria ter saído. Questionava-me constantemente..
— Por que sentia tanto tua falta? — Perguntei-me uma sequencia de vezes até notar que era tão obvio. Nunca deixei de te amar, talvez esse fosse o motivo pelo qual eu chorava até pegar no sono, talvez esse seja o motivo da minha dor
Logo ouvi as gotas de água batendo na janela, só não eram mais frias que minhas lágrimas, não poderiam ser; levantei-me com tal esforço que pude sentir a força que minhas pernas fizeram. Caminhei até a janela novamente.
Murmurei comigo mesma — Ora bolas, por que fizeste isso? — Pensei. Logo as lembranças começaram a me torturar, a vontade de voltar para cama era intensa. Mas pelo menos aquilo estava a meu alcance.
Continuei no mesmo local; logo percebi pessoas andando pela rua, sem qualquer proteção contra a chuva, a tempos eu não saia de casa, na verdade meses. Sentei-me na mesa do computador, e olhei a foto de fundo, ainda permanecia a nossa, em um dia ensolarado; eu sorria. Levantei-me, fui até o banheiro com uns passos rápidos. Estendi minha mão para virar a maçaneta da porta do banheiro. Os cortes não passaram despercebidos, logo os notei, e as lembranças doeram além do normal..
O silêncio imperava em todos cômodos, vi meu reflexo, e mudei o cabelo de posição, continuava o mesmo desastre de sempre, e o que eu estava a procura não conseguia ver, a tempos ele não aparecia.
Ouvi a campainha tocar, sai vagarosamente do banheiro, a pressa não fazia parte de mim, desci as escadas, e fui em direção a porta, o meu coração se acelerava aos poucos, eu ainda tinha esperança de que fosse você; mas quando abri, vi que não era ninguém; respirei fundo, e senti as lágrimas a caminho.. Logo percebi um envelope, sem remetentes ou coisa parecida, agachei-me e o peguei. Estava um pouco molhada, sentei-me no sofá e ascendi um cigarro. Abri o tal envelope e logo notei tua letra estampada no papel molhado.
“Não.. não pequena. Não chore, deixe teus olhos irem seguindo, linha por linha.
Durante muito tempo, fiquei sem ação. Na verdade, não tinha entendido o por que da tua saída repentina e rápida naquela tarde, me sinto culpado por não ter ido atrás, mas… Foi algo que eu disse? Algo que eu fiz? Eu te amei tanto, e não sei o por que de você ter feito aquilo comigo. Oras, como sou tolo. Tu não fizeste nada. A culpa foi minha. Pois te deixei partir, sem hesitações. Nessa pequena pausa que demos, uma série de coisas aconteceram.
Parei de ler por um estante, e traguei o cigarro mais uma vez, prossegui com a leitura..
Eu sinto a tua falta, intensamente, você faz falta nesses dias frios, não só nos frios, mas em todos dias. Eu te amo, será que você não percebe? Espero que nenhuma lágrima tenha caído até agora, odeio te fazer chorar, mesmo sabendo que te fiz chorar com todas essas minha burrices.. Eu ainda tenho uma grande esperança de que eu e você se torne nós, mas não só por um pequeno período, mas pra sempre pra todo sempre minha princesa. Eu te quero.. Eu te preciso.
Amassei a carta e a joguei em um canto qualquer da sala, apaguei o cigarro e peguei o telefone e disquei o número que se cravou em minha mente, como uma enxada que se crava na madeira, e a cada toque o meu coração palpitava mais forte do que o normal, quando escutei sua voz, um sorriso ousou aparecer em minha face.. E então murmurei..
— Fez isso porque? Tu não irá voltar, e me mandas esta carta para me machucar mais, porque isto? Diz que não quer me ver mal, e que me amas mas está me fazendo ficar cada dia pior sem você aqui, está me torturando, eu te odeio por isso. — Me engasguei com o choro; ouvi um barulho, engoli o choro rapidamente. Virei-me, e ouvi o som da porta com as trancas enferrujadas se abrindo.
Vi uma sombra e por alguns minutos minhas pernas ficaram tremulas, e logo vi seu rosto, e então você disse..
— A chave ainda estava debaixo do tapete, então eu achei que poderia entrar.. — O telefone escorregou e caiu, ele foi se aproximando, e sussurrou — Porque choras? Eu estou aqui, e agora é pra sempre minha vida..

Nenhum comentário:
Postar um comentário