Aquele que faz uma besta de si próprio, livra-se da dor de ser um homem. -Avenged Sevenfold
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
“Era como se algo mais forte me prendesse ao chão. Algo maior que a minha força, maior que a minha destreza, talvez até maior que minha própria alma. Sentia que um carregamento de sofrimento havia sido despejado dentro do meu coração, o deixando fraco, pequenino e com poucos batimentos. Se cansou. De ver, de viver, de amar sempre por dois, três. Cansou-se simplesmente de ser, de deixar de ser, de faltar o ser. Lutei contra as lágrimas nas noites turbulentas, procurei saídas nas mais diversas portas, mas em todas que topei, vi uma placa de ‘volte depois’. Minha dor precisava de cura pra ontem, talvez semana passada, e infelizmente, eu não podia esperar muito tempo. Sem encontrar qualquer luz no fim do túnel, depositei toda a minha dor no papel. Escrevi, escrevi, escrevi. De longe posso dizer que, se juntasse todas as folhas, daria um livro. Queimei-as. Uma por uma. Ao fim de tudo, senti como se tivessem arrancado um bom e pesado fardo das minhas costas. Estava leve , solta, de vestes novas, branquinhas como neve. Olhava para o lado e minha dor se quer dava sinal. Desprendi-me do chão que me detia. Voei.”
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